ESTES TRES CASOS
NOS REVELAM A FORÇA,
A DETERMINAÇÃO, A PERSISTÊNCIA
E,
ACIMA DE TUDO
A ESPERANÇA DE
QUE DIAS MELHORES ESTÃO RESERVADOS
PARA QUEM ACREDITA NO SEU POTENCIAL.
QUE EM NOSSOS MOMENTOS DE DIFICULDADES,
POSSAMOS NOS LEMBRAR DOS BELOS EXEMPLOS
DE SUPERAÇÃO DE AMY,
FALUJA E OSCAR.
1ª Nóticia
COM PERNA
BIÔNICA,
AMY PALMIERO CORRE MAIS DE 200km
Mesmo amputada,
americana adaptou seu corpo incrivelmente à prótese
e hoje disputa e ganha corridas
de longas distâncias contra
atletas sem deficiência
O sul-africano
Oscar Pistorius chamou a atenção
do mundo ao ganhar nos tribunais
o direito de participar do último
Mundial de Atletismo, na Coreia
do Sul. Conhecido como "Blade
Runner", Pistorius é biamputado
e corre com duas lâminas
no lugar das pernas. O caso dele
iniciou uma discussão no
esporte e fez surgir novos casos.
O quarto episódio da série "Super-Humanos",
do Esporte Espetacular, apresenta
Amy Palmiero-Winters, uma americana
de 39 anos que disputa corridas
de longa distância, muitas
delas com mais de 200km. Incrivelmente,
ela conseguiu adaptar perfeitamente
a prótese que usa ao seu
corpo e hoje dá muito trabalho
aos atletas sem deficiência.
Amy sempre gostou de correr e,
em 1994, quando voltava de um treino,
sofreu um acidente. A pequena moto
em que estava foi atingida por
um carro desgovernado e sua perna
esquerda foi esmagada. Os médicos
tentaram de tudo, mas depois de
três anos de tratamento e
27 cirurgias, ela aceitou a amputação
da perna logo abaixo do joelho.
Divorciada e com dois filhos para
cuidar sozinha, Amy tinha que lidar
com a deficiência, mesmo
assim, não desistiu da corrida.
- Eu tinha que ter uma prótese
que me deixasse alcançar
os objetivos que eu estabelecia
para mim. E eu precisava de alguém
que tivesse a tecnologia e a criatividade
de me ajudar a alcançá-los
- lembrou Amy.
Amy Palmiero pronta para
correr
A americana começou então
a pesquisar tudo sobre próteses
para corrida e acabou descobrindo
o que seria sua salvação.
Além de encontrar a solução
para a sua deficiência na
fábrica Step Ahead (Um passo
a frente, em português),
ela ainda conseguiu um emprego.
Hoje, ela trabalha vendendo próteses
e é a melhor "garota-propaganda" da
empresa. Se algum cliente duvidar
dos equipamentos, ela mesma pode
colocar e mostrar a eficiência
do produto.
- A primeira coisa que me perguntaram
quando entrei aqui foi: quais são
seus objetivos? O que você quer
fazer? Eu disse: quero correr 100
milhas. Eles olharam para mim como
se eu fosse uma louca.
O presidente da empresa, Eric
Schaffer, ainda recorda bem do
encontro de 1997. E ele realmente
achava que aquela mulher não
batia bem da cabeça.
- Eu pensei: nossa, essa maluca
não faz ideia do que está pedindo.
Demorei anos para conseguir montar
uma prótese para alguém
correr provas mais simples, de
5km ou 10km, e eu já achava
o máximo. E de repente ela
pedia algo incrivelmente maior.
Não havia em nenhum lugar
no mundo uma prótese construída
para alguém correr 200km.
A maioria dos amputados do mundo
quer apenas ter conforto e fazer
coisas normais do dia a dia. Aí pensei
bem, e vi que ter a oportunidade
de construir uma prótese
para uma corrida de 200km era algo
que seria marcante em minha carreira
- contou.
"Eu não perdi minha
vida, só perdi a minha perna"
Amy Palmiero
E essa parceria deu resultados
surpreendentes. No ano passado,
Amy correu uma prova de 24 horas,
percorreu 210km sem parar e era
a única amputada na disputa.
Foi aí que ela conseguiu
um feito inédito: ganhou
vaga na seleção americana
de corrida de rua - no time para
atletas sem deficiência.
- Nós estamos vendo algo
que está muito à frente
do nosso tempo. Nenhum amputado
jamais competiu no mesmo nível
de pessoas normais em torneios
nacionais aqui nos EUA, e muito
menos em competições
internacionais. É uma façanha
incrível, difícil
até de traduzir em palavras
- disse Eric Schaffer.
- O que mais impressiona nessa
atleta é como ela integrou
muito bem essa prótese,
esse elemento externo, ao próprio
corpo. É quase imperceptível.
Se você não puder
ver a prótese, você não
consegue distinguir qual lado dela é afetado
ou não. De tão bem
que está integrado. De tão
bem que está coordenado
a ação dessa prótese
com o joelho natural, com o quadril
natural, com todo o corpo dela
- disse Marcos Duarte, físico
e doutor em biomecânica da
USP.
Mas o caminho até aí não
foi nada fácil. No início,
o trabalho era pesado e complexo.
Testes na esteira para começar.
Mais tarde, distâncias maiores,
como os 42km da maratona. Amy foi
melhorando a cada dia, até fazer,
com a prótese, uma marca
melhor do que tinha quando ainda
não era amputada.
- Eu liguei então para
o diretor da prova de 100km, disse
que usava uma prótese e
avisei que queria correr. Ele disse:
de jeito nenhum, não há a
menor condição. Ninguém
nunca fez isso aqui. Aí percebi
que era exatamente aquilo que eu
queria fazer. E fui. Cruzei a linha
de chegada em último, bem
próximo do tempo limite
estabelecido pela organização.
Mas havia encontrado minha paixão
na vida - revelou Amy.
Amy
e suas próteses
O problema era que o caminho para
integrar perfeitamente a prótese
ao corpo não seria nada
fácil. Amy Palmiero sentia
muita dor, principalmente quando
encarava terrenos acidentados.
Além disso, a prótese
não absorve o impacto no
chão como uma perna normal.
Apesar de todas as adversidades,
a americana seguia melhorando seu
desempenho e já incomodava
outros competidores.
Tecnologia x Esporte
Foi aí que surgiu a polêmica,
a mesma que Oscar Pistorius enfrentou:
será que a prótese,
por ser mais leve que a perna natural,
não dava uma certa vantagem
como atleta, por carregar menos
peso? Será que Amy estava
sendo turbinada pela tecnologia?
Os cientistas entraram na discussão
para colocar um ponto final no
debate: o corpo humano ainda desempenha
melhor a função.
- Mesmo com essa superprótese,
ela tem um desempenho duas vezes
e meia menor do que se ela tivesse
um tornozelo íntegro, um
pé de verdade. Então
de forma alguma essa prótese
está ajudando ela nesse
desempenho - disse Marcos Duarte.
Amy e os filhos Carlsen e
Magdy
Portanto, agora a Ciência
tenta entender como, mesmo em desvantagem,
Amy Palmiero consegue resultados
tão incríveis e vitórias
sobre pessoas sem deficiência.
O primeiro fator é que ela
treina muito. Mesmo no trabalho,
sempre que há um intervalo,
Amy corre na esteira. No fim do
dia, passeia com os filhos Carlsen
e Magdy e aproveita para correr
mais um pouco, chegando a percorrer
60km em apenas um dia de treinamento.
E o mais importante, Amy transformou
todo o seu corpo, do cérebro
aos pés, para se adaptar às
próteses. Com isso, virou
uma máquina de correr. Uma
mulher biônica. E o segredo
parece estar no quadril:
- Você tem que ter outras
estruturas para compensar. Uma
das estruturas mais comprometidas
em amputados que usam prótese é o
quadril. Porque você vai
transmitindo esses impactos do
chão e, como não
tem joelho e tornozelo, acaba usando
muito o quadril. Então toda
a musculatura que envolve o quadril,
glúteo, etc., está desempenhando
um papel especial, para compensar
essa deficiência que ela
tem lá em baixo no tornozelo
- constatou Marcos Duarte.
Enquanto isso, a americana é viagiada
de perto pelos cientistas. Se eles
conseguirem desvendar como essa
mulher transformou o corpo para
receber a prótese, muita
gente que passou pelo mesmo trauma
que ela pode ser beneficiada.
2ª Nóticia
INDIANO
CENTENÁRIO TORNA-SE
O HOMEM
MAIS VELHO A COMPLETAR UMA MARATONA
Faluja Singh é o último
a cruzar a chegada na corrida em
Toronto, no Canadá e seu
feito, que demorou oito horas,
ganhou espaço no Livro
dos Recordes
Singh: maratonista mais velho
do mundo
O indiano Faluja Singh de 100
anos é o homem mais velho
do mundo a correr o percurso de
42 km. Ele alcançou essa
marca no domingo, 16/10, ao cruzar
a linha de chegada da Maratona
de Toronto em oito horas. Singh
foi o último corredor na
competição e, enquanto
completava a prova, os funcionários
já desmontavam a estrutura
da corrida.
Mas, nem de perto isso foi um
problema, pelo contrário.
O feito de Singh ganhou espaço
no Livro dos Recordes e o corredor
foi recebido com muito carinho
por familiares, amigos e simpatizantes,
que o esperavam na chegada.
Essa foi a oitava vez que ele
participou de prova de 42km. O
maratonista mais velho do mundo
iniciou a carreira com 89 anos
e, agora, seu sonho é participar,
novamente, do revezamento da tocha
olímpica dos Jogos de Londres,
2012. Singh já participou
uma vez, em 2004.
3ª Nóticia
SUL-AMERICANO
BIAMPUTADO FAZ ÍNDICE
PARA CORRER MUNDIAL E OLIMPÍADA
O atleta compete na categoria T44 (amputados abaixo do joelho em apenas um perna),
mesmo fazendo parte da T43 (amputados abaixo do joelho nas duas pernas).
O atleta biamputado Oscar Pistorius,
24, conseguiu fazer o tempo necessário
para disputar os jogos olimpicos
de Londres, ano que vem, e o Mundial
de Daegu, na Coreia do Sul, em
agosto próximo.
O sul-africano que usa próteses
de fibra de carbono nas duas pernas
correu os 400 metros em 45s07 nesta
terça-feira, em Ligano,
na Itália, batendo seu recorde
pessoal que era de 45s61 (o índice
necessário era de 45s25).
Como comparação,
o tempo de 45s07 daria ao atleta
a quinta colocação
na Olimpíada de Pequim,
em 2008. O recorde mundial é do
americano Michael Johnson, com
43s18, batido em 1999.
Com quatro medalhas de ouro na
Paraolimpíada (três
em Pequim-08 e uma em Atenas-04),
Pistorius se tornou o primeiro
amputado a conseguir classificação
para um Campeonato Mundial. Para
Londres-12, apesar do índice,
ele ainda depende de seleção
do comitê olímpico
da África do Sul.
"Sinto algo surreal ao ter
o tempo de qualificação
A na mochila para os Jogos Olímpicos
do ano que vem. Obrigado a todos
pelo apoio", escreveu o sul-africano
em sua conta no Twitter. "Não
pude dormir de tão feliz",
completou.
HISTÓRICO
Pistorius ganhou notoriedade ao
ganhar o direito de lutar por uma
vaga na Olimpíada de Pequim
após decisão favorável
da CAS (Corte Arbitral do Esporte).
Antes, sua participação
estava vetada pela Associação
Internacional das Federações
de Atletismo, porque suas próteses
de fibra de carbono, conhecidas
como Cheetah Flex-Foot, supostamente
dariam a ele uma vantagem competitiva
diante de atletas sem deficiência.
Apesar de ter obtido o direito
de competir nos Jogos Olímpicos,
Pistorius não obteve o índice
necessário para participar
do evento e tampouco foi convocado
pela África do Sul para
integrar o revezamento do país
na disputa do 4 x 400 m.
O sul-africano compete na categoria
T44 (amputados abaixo do joelho
em apenas um perna), mesmo fazendo
parte da T43 (amputados abaixo
do joelho nas duas pernas). Além
dos 400m, Pistorius também
conquistou o ouro paraolímpico
nos 100 m e 200 m rasos, ambas
na categoria T44.
Nascido sem a fíbula --osso
que conecta o joelho ao calcanhar--
nas duas pernas, Pistorius teve
que amputá-las sob o joelho
quando tinha somente 11 meses de
idade.