Pesquisa revela que a corrida adia
os desgastes causados pelo envelhecimento
Cilene Pereira
Publicado na Revista Isto é nº 2024
EFEITO O esporte ajuda
a proteger contra doenças como
o câncer.
Correr regularmente é uma das
melhores formas de protelar os prejuízos
ao corpo promovidos pelo envelhecimento.
Essa é a conclusão de pesquisadores
da Universidade de Stanford, nos Estados
Unidos. Eles são autores de um
estudo divulgado na edição
deste mês da revista científica
Archives of Internal Medicine – publicação
da Associação Americana
de Medicina – e já considerado
pelos especialistas um dos mais importantes
realizados sobre o tema. Primeiro porque
derruba a idéia de que a corrida
poderia causar danos mais graves nas
articulações se praticada
durante anos a fio. E depois porque aponta
benefícios até então
desconhecidos, como a maior proteção
contra doenças como o câncer.
As
constatações foram
obtidas após o acompanhamento
durante 20 anos de 538 corredores e
de outro grupo com o mesmo número
de voluntários que não
praticavam o esporte. No início,
os participantes apresentavam a idade
média de 50 anos. Ao longo da
pesquisa, eles tiveram seus índices
de saúde monitorados e responderam
a questionários nos quais contavam
como se saíam em tarefas rotineiras,
como se vestir ou se levantar da cadeira.
Ao final do trabalho, as diferenças
foram consideráveis. Entre
os não-corredores, o índice
de mortalidade foi de 34%. No grupo
dos adeptos da corrida, a taxa foi
de 15%. Todos os participantes manifestavam
algum tipo de limitação
física, mas entre os esportistas
os primeiros sinais de dificuldade
apareceram mais tarde. Além
disso, o risco de os corredores morrerem
precocemente de enfermidades como câncer,
doenças neurológicas
ou infecciosas foi bem menor – a
metade do verificado entre os outros
voluntários. “Também
não foram observados grandes
prejuízos às articulações
daqueles que corriam”, afirmou
James Fries, coordenador do estudo. “E
os benefícios se mantiveram
mesmo com a queda na intensidade das
corridas ao longo dos anos”,
explicou o cientista. No começo
da pesquisa, os adeptos corriam cerca
de quatro horas por semana. Vinte anos
depois, a média havia caído
para pouco mais de uma hora semanalmente.
EXERCÍCIO SEM GRAVIDADE
Esteira permite que atletas se exercitem
sem tocar o piso, reduzindo lesões
Você já imaginou
como seria correr sem sentir o chão?
Pois essa é a sensação
experimentada pelos usuários da
G-Trainer, equipamento que permite o
treino de corridas sem que o indivíduo
sinta a força da gravidade. Se
quiser, o atleta pode ficar totalmente
suspenso e não tocar o piso da
esteira. Dessa maneira, a máquina
reduz os choques nos músculos
e nas articulações. De
acordo com estudo publicado no Journal
of Applied Biomechanics, o impacto pode
ser reduzido à metade. Aprovada
recentemente pelo Food and Drug Administration – o órgão
americano responsável pela liberação
de produtos para a saúde –,
a G-Trainer vem sendo usada por clínicas
de reabilitação americanas
e por atletas portadores de lesões
que precisam manter o condicionamento
sem passar pelo risco de agravar o problema.
LEVE É possível
ficar suspenso, sem tocar o piso
da esteira
A esteira é ladeada por câmaras
de ar infláveis. Ao serem ativadas,
elas formam bolsas que envolvem cintura
e quadril do corredor. “Elas funcionam
como garras para tirar o atleta do chão”,
explica Rodger Kram, um dos criadores
da máquina e professor da Universidade
do Colorado (EUA). Na opinião
do médico Ricardo Cury, diretor
da Sociedade Brasileira de Cirurgia de
Joelho, o equipamento é interessante. “Há uma
grande procura por maneiras de minimizar
impactos durante a prática dos
exercícios. E o aparelho parece
ajudar neste objetivo”, afirma.