TAMBÉM
COLABOROU:
Isabela Guerra – nutricionista,
mestre pela Universidade de São
Paulo e doutoranda do Curso Interunidades
em Nutrição Humana Aplicada
da Universidade de São Paulo
(USP)
FONTE:
REVISTA O2 - EDIÇÃO 17
Você
trabalha 10 horas por dia em um ritmo
louco, corre quatro vezes por semana,
dorme no máximo sete horas por
noite, notou queda de rendimento nos
últimos tempos, sua alimentação
não é equilibrada ou ideal
e você ainda batalha tempo para
competir nas provas de fim de semana,
curtir família e amigos. Se você
se identificou com mais de três
características anteriores, precisa
ficar atento para uma provável
carência de vitaminas no seu organismo.
Se
não houver equilíbrio
de vitaminas, nosso corpo não
consegue tirar o melhor proveito dos
alimentos que ingerimos. No caso do
corredor, o prejuízo é
ainda maior, porque, na falta dessas
substâncias, ele terá queda
de rendimento e deficiência no
sistema imunológico. Ou seja,
pode entrar naquele círculo vicioso
de doenças por baixa resistência,
que geralmente o fazem interromper os
treinos e render menos no trabalho.
A boa
notícia é que basta se
alimentar bem para conseguir todas as
vitaminas. A má é que
você pode não ter tempo
ou oportunidades de comer direito. Dê
uma olhada no cardápio para um
homem com 30 anos que trabalha e faz
atividade física regular sugerido
abaixo pela nutricionista Vanderli Marchiori,
especialista em medicina natural pelo
Manchester Institute e diretora da Associação
Paulista de Nutrição.
Você tem uma dieta equilibrada
e completa em nutrientes?
Para
quem se alimenta bem
Quem respondeu “sim” pode
estar livre de tomar cápsulas
de vitamina diariamente. Os suplementos
são recomendados para evitar
dor muscular e fadiga apenas para os
atletas que treinam intensamente (mais
de 3 horas por dia) e não conseguem
tirar tudo de que precisam da comida,.
“Para
os corredores que treinam moderadamente,
ou seja, até duas horas por dia,
uma dieta balanceada é suficiente
para suprir as necessidades de nutrientes”,
esclarece Patrícia Rebelo, nutricionista,
especialista em Nutrição
Esportiva pela Escola Paulista de Medicina
e assessora das equipes 4any1 e Branca
Esportes.
Mas,
se você está na turma do
“não”, talvez precise
de um reforço em cápsulas.
Não há uma receita fixa:
consulte um nutricionista ou um nutrólogo
para ele avaliar que tipo de alimento
está em falta na sua dieta ou
indicar o suplemento mais adequado.
Como as vitaminas estão diretamente
ligadas à produção
de energia, fraqueza e cansaço
constantes são alguns sintomas
de que seu corpo está fisicamente
carente.
Como
as vitaminas funcionam
Os 13 micronutrientes conhecidos como
vitaminas A, C, D, E, K e as oito do
complexo B são fundamentais para
que carboidratos, proteínas e
lipídeos sejam transformados
em energia e possam ser utilizados pelos
músculos, ossos e sangue. As
vitaminas facilitam que as substâncias
entrem na célula e dão
a partida para as reações
que vão gerar energia.
Do
jeito certo
Os dois grupos são igualmente
importantes para que exista o equilíbrio
entre a absorção de alimentos
e o perfeito aproveitamento dos nutrientes.
“Cada vitamina tem sua participação
nesse processo. O corredor precisa de
todas as vitaminas em quantidades adequadas
para que a produção de
energia ocorra”, explica a Dra.
Flávia Abdallah, nutricionista
do ambulatório de Medicina Esportiva
do Hospital das Clínicas e consultora
da rede Hortifruti.
A falta
de algum micronutriente compromete a
performance. “A ingestão
inadequada de vitaminas culmina em um
mau desempenho atlético”,
diz Dan Bernardot, da Universidade da
Geórgia, EUA, em painel publicado
pelo Gatorade Sports Science Institute
(GSSI).
:: Se o atleta não absorver a
quantidade necessária de vitaminas
do complexo B, por exemplo, poderá
ter dificuldades em absorver aminoácidos,
essenciais à formação
das proteínas, que por sua vez
são imprescindíveis à
formação e à recuperação
dos músculos.
:: Outro problema é comer da
forma inadequada ou consumir muito pouca
gordura. Se uma pessoa ingerir vitaminas
A, D e E em quantidade suficiente, mas
sua dieta tiver grande restrição
de gordura, essas vitaminas não
serão plenamente absorvidas,
porque é preciso que haja gordura
no intestino para elas se dissolverem
(são lipossolúveis). Este
ponto é importante para corredores,
que costumam restringir os lipídios
da sua dieta e ter baixa taxa de gordura
corporal.
Indicadas
para atletas
As vitaminas do complexo B são
essenciais para quem faz atividade física.
“A vitamina B6 participa da produção
de glicogênio muscular, importantíssima
para a recuperação do
atleta. O glicogênio é
a forma em que o carboidrato é
armazenado nos músculos. Já
a B2 está associada à
proteção de lesões
oxidativas. Por isso, praticantes de
atividades físicas necessitam
de uma quantidade maior destas vitaminas
para proteger seus mecanismos de produção
de energia contra danos provocados pelos
radicais livres”, explica a nutricionista
Heloísa Guarita, especialista
em Fisiologia do Exercício pela
Unifesp.
As
vitaminas do complexo B são as
únicas que podem causar aumento
de apetite. “Por serem responsáveis
pelo metabolismo de energia, elas podem
aumentar a necessidade de carboidratos
na dieta, aumentando conseqüentemente
o apetite”, explica Patrícia
Rebelo.
Vitamina
em pílulas
A ingestão de vitaminas sintéticas
(em pastilha, cápsula ou pílula)
para quem tem alimentação
balanceada é recomendada apenas
em casos específicos. “A
suplementação é
indicada para atletas de alto nível,
que treinam de 4 a 5 horas por dia e
têm um desgaste oxidativo e muscular
extremo”, esclarece Reinaldo Bassit,
o “Tubarão”, preparador
físico, doutor em nutrição
do esporte e nutricionista da Total
Nutrition.
“Outro
caso é a recuperação
após competições
de alto desgaste, como maratonas”,
diz. “Recomendo tomar suplementos
de vitaminas antioxidantes (E, C e A)
algumas semanas antes e até cinco
dias depois da prova”, completa.
Mas
cuidado na hora de escolher um suplemento.
As pílulas com muitas vitaminas
e minerais combinados podem não
ter o efeito esperado. Esse tipo de
cápsula pode não ter o
que nutricionistas e médicos
chamam de biodisponibilidade: as vitaminas
precisam de certas condições
- como acidez estomacal, composição
do alimento e forma de preparo -, para
serem absorvidas pelo organismo. Nas
pílulas com diversas vitaminas
e minerais, um nutriente acaba concorrendo
com o outro no trato intestinal e a
absorção fica comprometida.
Um
exemplo é a interação
prejudicial que acontece é a
do cálcio e do ferro, dois minerais.
A ingestão de alimentos ricos
em ferro (como feijão e lentilha)
junto com cálcio dificulta a
absorção do ferro. Já
a interação da vitamina
C com o ferro é benéfica
e aumenta a absorção do
mineral.
Resgate!!!
Caso sua dieta não seja balanceada,
não é necessário
entrar em pânico. O melhor é
procurar um nutricionista para que ele
indique suplementos específicos
que compensem suas carências.
“Cerca
de 90% dos pacientes que eu atendo têm
algum tipo de deficiência em vitaminas,
minerais ou aminoácidos. Geralmente
essa carência é causada
por um estilo de vida estressante e
pela alimentação incorreta”,
afirma Júlio Alberto Pallazo
de Melo, médico nutrólogo,
especialista em medicina biomolecular
e radicais livres.
“Fatores
como estresse causam liberação
de adrenalina, que aumenta o trânsito
intestinal e pode prejudicar a absorção
de vitaminas”, esclarece a nutricionista
Manuela Dolinsky, doutora pela Escola
Paulista de Medicina (Unifesp).
Exames
de sangue, cabelo e urina detectam a
situação de cada pessoa
e, a partir dela, o médico receita
uma alimentação específica,
com suplementos apropriados. Essa é
a base da medicina ortomolecular. Segundo
os especialistas consultados, os suplementos
vitamínicos devem ser a última
opção. “Sempre é
melhor adaptar a dieta do corredor ao
seu estilo de vida e necessidades calóricas.
Mas, se não for possível,
a suplementação deve ser
feita com exame da necessidade particular
de cada pessoa”, explica a nutricionista
Manuela Dolinsky`.
Contra-indicações
Tomar vitaminas sem acompanhamento médico
pode ter o efeito contrário ao
desejado, além de causar prejuízos
à saúde e ao desempenho.
Vitaminas,
especialmente as lipossolúveis,
em quantidade excessiva e tomadas constantemente
podem ser tóxicas ao organismo.
“Vitamina
C em excesso pode causar alterações
metabólicas no coração
e fadiga precoce durante o exercício”,
comenta Marcelo Macedo Rogero, nutricionista
e doutorando em Ciências Farmacêuticas
da Universidade de São Paulo.
Veja na tabela o que o excesso de cada
vitamina provoca. ::
::
PARA COMER 30 MINUTOS ANTES DA CORRIDA
1
copo de suco de maçã com
cenoura e farelo de aveia (1 maçã
peq. + 1/2 cenoura pequena batidas com
um copo d’água mineral
e uma colher de sobremesa de farelo
de aveia)
1 fatia de pão integral com queijo
cottage ou ricota temperada com sálvia
e alecrim
Obs.: cenoura (vitamina A), maçã
(pectina e boro – fibra que estimula
a eliminação de toxinas),
farelo (carrega para fora tudo que está
em excesso no intestino), sálvia
e alecrim (estimulantes do sistema digestivo).
OU
1 iogurte misturado com 4 colheresde
sopa de granola, 1 castanha do Brasil
picada e 1 banana em rodelas. Adoçar
com um pouco de mel.
Obs.: granola (fibras e vitaminas A
e E), castanha (ômegas), banana
(potássio) e mel (provoca liberação
de serotonina).
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